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Encontrei um cachorro abandonado: o que fazer nas primeiras 24 horas

Como se aproximar com segurança, descobrir se ele tem dono, onde avisar que foi encontrado, o que dar de comer, quando ir ao veterinário e o que esperar do CCZ e das ONGs.

Um cachorro caramelo deitado na calçada, olhando para cima.

Antes de tudo, uma correção de rota: o cachorro que você encontrou pode estar perdido, não abandonado. Cães perdidos costumam ser dóceis, às vezes obedecem a comandos e muitas vezes usam coleira. As primeiras horas servem para descobrir se há uma família procurando por ele. Só depois disso ele vira um animal para adoção.

  • Aproximei-me devagar, com comida, e consegui pôr uma guia ou carregar com segurança
  • Procurei coleira, plaquinha, bordado e QR code
  • Passei o leitor de microchip numa clínica ou no CCZ
  • Perguntei na vizinhança e no comércio
  • Postei nos grupos do bairro e nas plataformas de perdidos e achados
  • Água, comida em pequenas porções e um cantinho coberto
  • Separado dos meus animais até o veterinário liberar
  • Veterinário marcado, ou já fui se havia sinal de alerta
  • Liguei para o CCZ da minha cidade

1. Aproxime-se com calma

Não corra atrás dele nem o encurrale: um cão assustado foge para a rua ou morde. Fale baixo, agache-se ou sente-se de lado, jogue um pouco de comida a alguma distância e deixe que ele venha. Quando estiver comendo perto de você, acaricie o peito e a lateral do corpo antes de pensar em coleira. Se ele recuar, não insista; tente de novo depois.

Um animal machucado ou muito assustado pode morder mesmo sendo dócil. Para carregar, enrole-o num cobertor ou numa toalha grande. Numa via movimentada, nunca tente pegá-lo no meio da pista: use a comida para atraí-lo até a calçada.

2. Procure identificação

Olhe a coleira: plaquinha com telefone, nome bordado, QR code de carteirinha. Sem nada disso, leve o cão a uma clínica veterinária ou à unidade municipal de saúde animal para passar o leitor de microchip. O chip não é um GPS; é só um número que uma clínica com leitor consulta nos cadastros, como o registro municipal da sua cidade, as empresas de chip e o cadastro nacional de animais do governo federal, que gera uma carteirinha com QR code.

3. Avise que você encontrou

No mesmo dia:

  • Pergunte na vizinhança, no comércio, aos porteiros e nos pet shops do bairro.
  • Poste nos grupos de bairro e de animais perdidos no Facebook e no WhatsApp, e no Instagram.
  • Cadastre nas plataformas nacionais de perdidos e achados, que cruzam fotos de animais perdidos com animais encontrados. As mais usadas no Brasil são Procura-se Cachorro, PataAchada, Pupz e I Love You Pet.

Como escrever o aviso. Foto nítida e colorida, de corpo inteiro. Espécie, sexo, porte, cor, se usava coleira. Bairro, rua e data em que foi encontrado. Seu telefone. Guarde para você um detalhe que só o tutor saberia, como uma marca, uma cicatriz ou o nome a que ele responde, para confirmar quem aparecer reclamando o animal. Peça compartilhamento e fixe cartazes em pet shops e clínicas.

4. Água, comida e um cantinho

Água fresca à vontade. Se não tiver ração, serve provisoriamente arroz com frango sem osso, batata ou legumes cozidos, sem sal e sem óleo, em porções pequenas: um animal faminto que come demais vomita. Improvise uma cama numa área coberta, protegida de frio e chuva. Uma lavanderia, um banheiro ou um quarto bastam para a primeira noite.

5. Separado dos seus animais

Até o veterinário liberar, mantenha o cão encontrado num cômodo separado, com potes próprios, e lave as mãos entre um animal e outro. Um cão de procedência desconhecida pode carregar doenças graves, pulgas, carrapatos e vermes sem nenhum sinal visível. Se você tem filhotes em casa que ainda não completaram as vacinas, a separação é obrigatória.

6. Veterinário: agora ou em 24 a 48 horas

Vá imediatamente se houver sangramento, sinal de atropelamento ou se ele estiver mancando, dificuldade para respirar, vômito ou diarreia com sangue, apatia extrema, não conseguir ficar em pé, convulsão, ferida aberta ou com bicheira, se for um filhote muito pequeno, se for uma cadela com sinais de gestação ou parto, ou se houver suspeita de envenenamento.

Se ele estiver bem, marque para as primeiras 24 a 48 horas. O veterinário avalia peso e idade, procura pulgas, carrapatos e vermes, pede exames básicos, inicia vacinas e vermifugação e orienta a quarentena. Não medique por conta própria, nem com remédio "de cachorro" que você tenha em casa.

Se o dinheiro é um problema, procure hospitais veterinários públicos onde existem, clínicas populares, mutirões de castração da prefeitura e as clínicas-escola das faculdades de veterinária.

7. O que o CCZ faz e o que não faz

O Centro de Controle de Zoonoses é uma unidade de saúde pública da prefeitura. O trabalho dele é controlar doenças transmitidas por animais. Em geral oferece vacina antirrábica, campanhas de castração, microchipagem e registro e, em alguns municípios, a adoção dos animais que abriga.

O recolhimento é seletivo: prioriza animais agressivos, suspeitos de raiva ou relevantes para a saúde pública, não cães saudáveis soltos. Em muitas cidades o CCZ não busca animal na rua e não aceita entrega espontânea por falta de espaço. Não espere que ele "resolva": ligue para saber o que o da sua cidade oferece, principalmente leitura de chip, vacina e castração.

8. As ONGs estão lotadas, e isso muda o seu papel

Abrigos e ONGs vivem superlotados e sem recursos. A maioria não recebe novos animais, mas ajuda a divulgar, indica clínicas baratas e feiras de adoção. A orientação de quem faz resgate há anos é a mesma: quem resgata vira o lar temporário, e a ONG apoia a adoção. Se isso não é possível para você, procure um lar temporário entre conhecidos e combine as regras por escrito com o termo de lar temporário.

9. Se ninguém reclamar

Depois de alguns dias de divulgação sem retorno, comece a preparar a adoção: banho, vacinas, vermífugo e castração antes de doar. Boas fotos e um texto curto sobre a personalidade dele, não sobre o resgate. Um questionário de pré-adoção para conhecer os candidatos, uma visita à casa, o termo de adoção responsável na entrega e um acompanhamento nas primeiras semanas. O cartão Doa-se monta o cartaz em um minuto.

10. Se houve abandono ou maus-tratos

Abandono e maus-tratos de animais são crime previsto na legislação federal. Registre fotos, vídeos e testemunhas e denuncie à polícia, de preferência à delegacia ou polícia ambiental onde existir, ao Ministério Público ou pelo canal de denúncias da sua prefeitura.